A relação da natação na CBDA é com certeza a que traz mais recursos e, consequentemente, maior visibilidade e mais problemas do que as outras modalidades aquáticas.

Mas houve também uma tentativa em 2011 do polo aquático receber um tratamento melhor dentro da CBDA.

A reportagem abaixo que reproduzo é do Correio Braziliense de (quanta ironia) primeiro de abril de 2011.

Polo aquático brasileiro articula formar uma associação nacional própria

Seguindo o exemplo bem-sucedido do basquete, modalidade quer bater de frente com a Confederação Brasileira

Patrícia Banuth – Correio Braziliense

Pela primeira vez em 23 anos de mandato, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, está com os poderes ameaçados. Descontentes com a forma com que a instituição gerencia os cinco esportes que fazem parte da Confederação — natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas — dirigentes de clubes, técnicos e atletas começam a se movimentar para descentralizar as ações da  CBDA. Falta de exposição na mídia, má organização dos campeonatos e poucos recursos para a modalidade são alguns dos problemas apontados que motivaram o polo aquático a buscar uma via alternativa.

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O primeiro passo foi dado no último dia 11. Inspirado pela criação bem-sucedida da Liga Nacional de Basquete (LNB), um grupo liderado pelo Pinheiros (SP) e pelo Fluminense (RJ) reuniu-se para debater a formação da Associação Brasileira de Polo Aquático (Abapa). Oitenta por cento dos clubes brasileiros mostraram-se favoráveis a integrar a nova associação. 

Ao tomar conhecimento da mobilização, Coaracy Nunes disse que não reconhecerá a criação da Abapa. Em nota, ele afirmou que a CBDA entende que a iniciativa é “ilegal e sem propósito.” E fez questão de frisar que a entidade é a única reconhecida pela Federação Internacional de Natação (Fina) e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para gerir o polo aquático.

No entendimento do dirigente, a CBDA investe fortemente na modalidade e possui um programa visando as Olimpíadas de Londres-2012 e os Jogos do Rio-2016. A opinião, contudo, diverge da avaliação de técnicos, atletas e clubes. Segundo um dos coordenadores do projeto de formação da Abapa, Luís Eduardo Pinheiro Lima, a intenção não é confrontar a CBDA, mas fortalecer o esporte. 

“O polo aquático carece de seu tempo para uma gestão produtiva. Há algum tempo temos problemas diversos, como a falta de apoio e de competições envolvendo clubes de todas as regiões do país”, critica, em nota, Luís Lima. “Em vista disso é que queremos formar uma entidade para planejar as atividades do esporte”, completa. Uma nova assembleia foi convocada para sexta-feira, 8 de abril, e um pedido de reunião de conciliação entre as duas entidades, em 12 de abril, foi feito ao presidente Coaracy.

Por mais de duas décadas
O presidente da CBDA está no comando da entidade desde 1988. Em 2009, Coaracy foi reeleito por mais quatro anos e comandará a Confederação até pelo menos 2013. Serão 25 anos no poder

Iniciativa bem-sucedida
Insatisfeitos com a administração da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), em 2008 os clubes nacionais se movimentaram e criaram a Liga Nacional de Basquete. Em sua terceira edição, o NBB é, hoje, um campeonato consolidado no calendário brasileiro da modalidade

Com o respaldo da lei
A criação de uma Liga de Polo Aquático, ou de qualquer outro esporte, é legal e está prevista na Lei Pelé (nº 9.615/98), no artigo nº 20

Entenda a crise

As insatisfações dos atletas
» Campeonatos curtos e falta de exposição na mídia e de apoio da CBDA
» Competições desorganizadas e de alto custo para os clubes
» Pessoas inexperientes no polo aquático no comando da modalidade

Objetivos da Associação Brasileira de Polo Aquático
» Gestão do polo aquático por uma entidade própria, visando a formação de atletas e organização, realização de eventos e o desenvolvimento técnico da modalidade
» Captação de recursos através das leis de incentivo ao desporto, patrocínios e convênios para a redução dos custos dos clubes

Bronca generalizada

Pessoas ligadas ao esporte dizem que as queixas das equipes do polo aquático se estendem às outras modalidade. Na natação, as regras para participar dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro, por exemplo, foram divulgadas apenas no último sábado. E a CBDA resolveu considerar como seletiva, além da Tentativa para o Campeonato Mundial, em abril, e do Troféu Maria Lenk, em maio, o Torneio Pan-Pacífico. Acontece que a última competição ocorreu em agosto do ano passado e os atletas não tinham noção de que ela valeria como parâmetro para o Pan do México.

Nos bastidores, comenta-se que os outros esportes aquáticos estão apenas esperando para ver como o polo vai se sair para darem início a um racha geral. Mas para criarem novas ligas, os clubes necessitam ter certeza que não vão acabar prejudicando os próprios atletas. As ligas precisam da aceitação da CBDA para que as competições organizadas por elas sejam reconhecidas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e pelas Federações Internacionais.

Link: http://www.df.superesportes.com.br/app/19,66/2011/04/01/noticia_maisesportes,16328/polo-aquatico-brasileiro-articula-formar-uma-associacao-nacional-propria.shtml

O que existiu de proposta e movimento naquela época foi sumariamente enterrado por Coaracy Nunes Filho graças a articulações políticas e nomeações em quantidade estranhas de nomes para compor a diretoria do polo aquático na CBDA.

Em julho de 2011, o expediente da CBDA era esse:

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Hoje só sobrou Alvimar Amorim na diretoria (http://www.cbda.org.br/canal-cbda/organograma-id-3598).

A Liga Nacional de Polo Aquático (http://liganacionaldepoloaquatico.com.br/) está em sua 5a. edição, sempre bancada com patrocínios e recursos provenientes da Lei de Incentivo. Aliás, esta 5a. edição não houve site especial para o evento, centralizado em um dos sites da CBDA. Se os clubes reclamavam dos custos, na Liga isso não existe porque em papel o projeto banca os custos dos atletas, clubes e da própria CBDA. Mas não foi isso que escutamos na beira da piscina, com clubes bancando transporte e hospedagem sem reembolso por parte da CBDA. Isso foi assunto de outro post (http://www.mudacbda.com.br/?p=45).

Quanto ao julgamento de pessoas inexperientes no comando da modalidade, não posso fazer qualquer afirmação porque desconheço a história dos envolvidos no departamento de polo, mas talvez o termo “inexperiente” não seja o correto.

Veja um exemplo atual. Na premiação da “V Liga Nacional de Polo Aquático/ I Super Liga Correios-Bradesco de Polo Aquático Masculino” (um nome extremamente pomposo – http://www.cbda.org.br/noticias/pinheiros-e-campeao-invicto-da-liga), cuja final foi realizada no SESI-SP no dia 25 de novembro, os atletas receberam a seguinte medalha:

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Reparem na data: 14 a 16 de dezembro. Reparem na cidade: Rio de Janeiro. Reparem na Federação: Federação Aquática do Rio de Janeiro – FARJ.

A final foi dia 25 de novembro, em São Paulo, sob os cuidados da Federação Aquática Paulista – FAP.

Não me perguntem porque entregaram tais medalhas e, pior, atletas, técnicos e clubes aceitaram isso.

Com quase um milhão de reais disponíveis para captação de recursos para “ações do polo aquático 2012/2013” (R$ 962.419,98 exatamente, isso se não houve mais nenhum ajuste), fica difícil entender porquê não refizeram uma medalha que custa em torno de R$ 19 (uma boa medalha, diga-se de passagem).

Tudo bem, eram “muitas” medalhas para refazer. Que sejam 200 medalhas. Total: R$ 3.800. Só de medalhas, sem troféus. Ou 0,39% do valor teórico total da captação.

São pequenos detalhes que revelam que sim, existe uma desordem no polo aquático do Brasil, que tenta a todo custo estar na Olimpíada do Rio em 2016 (a idéia de que por ser sede o polo está automaticamente com a vaga olímpica é falsa).

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