A longa parceria com os Correios, começou com um singelo contrato assinado em 29 de junho de 1993 de R$ 825 mil em valores corrigidos.

A partir de novo contrato firmado em 20 de abril de 1994, o patrocínio individual foi incluído. Nas 2 versões subsequentes dos contratos de renovação, os critérios e os atletas eram conhecidos para este patrocínio individual.

A partir de 1996, a CBDA passou a ter controle absoluto em quem irá patrocinar individualmente, por quanto tempo e por quanto.

O contrato atual, firmado em 31 de janeiro de 2017, não só retirou os atletas da jogada, criando-se uma premiação de acordo com resultados internacionais, critério ainda subjetivo e totalmente controlado pela CBDA, como também procurou privilegiar a própria Confederação, além de impedir por cláusulas contratuais a possibilidade livre da CBDA angariar recursos próprios, como por exemplo cobrar ingresso de entrada em competições – o contrato proíbe a cobrança – ou mesmo novo patrocinador – o contrato diz que os Correios tem que dar o aval final sobre o novo patrocinador.

Usado por 20 anos como objeto de barganha e controle dos atletas e técnicos, a parceria Correios e CBDA foi benéfica a partir do momento que você não a considera como um instrumento de controle, chantagem ou intimidação.

Fora a inexistência de transparência de como eram estabelecidos os critérios para pagamento de salário aos atletas. Uns recebiam 20 mil reais, outros 2 mil. Os que recebiam 2 mil tinham resultados equivalentes de quem recebia 8 mil. Porquê a disparidade? E porquê era preciso segredo absoluto? Porque transparecendo desmontava-se a fraude dos critérios.

Além disso, a Lei Piva, verba que vem através do COB, além de servir para pagar seus dirigentes – com salário generoso de 24 mil reais para o presidente da CBDA de acordo com o orçamento – também servia para sustentar a Confederação. Mas ainda assim, utilizava-se de verba dos Correios também para sustentar a máquina (mal) administrativa.

Os Correios, por contrato, podem rescindir unilateralmente e até cobrar a devolução do que já foi pago:

Então, nós temos um contrato que ajuda a natação brasileira e também nós temos um poder de intimidação por força financeira nas mãos da Confederação onde controlava todos os membros de uma seleção brasileira de todas as modalidades aquáticas.

Por 20 anos preferiram deixar quieto, de lado, pois estavam (poucos) se beneficiando e ignoravam que estavam na verdade era sendo manipulados.

A transparência era a única forma de tirar esse poder de intimidação dos dirigentes com ética dúbia perante os atletas e técnicos.

E por 20 anos a natação teve um espelho fosco entre o que era acordado com os Correios e a CBDA.

E hoje este espelho quebrou.

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