Ainda não é oficial porque não consta no Diário Oficial da União, mas ontem, dia 3 de maio, a juíza Simone despachou sua decisão de marcar a Assembléia Geral Eletiva da CBDA no dia 9 de junho, uma sexta-feira, preliminarmente no mesmo local onde foi realizada a última Assembléia – que foi praticamente anulada pela mesma juíza – no Hotel Novo Mundo, no bairro do Flamengo.

A decisão atende ao pedido do interventor Gustavo Licks, que em pouco mais de um mês, viu a enorme necessidade de um comando político e financeiro na CBDA – e posteriomente veremos que também é preciso de um comando técnico melhor – porque fundamentalmente ele não tem poder para angariar mais recursos, privados ou públicos, e também o caixa está ainda mais curto, já que os Correios bancaram mais esse mês um depósito na casa dos 500 mil reais e após isso aguardará a decisão da eleição da diretoria.

Existem duas grandes surpresas para o grande público na decisão, já que para quem está envolvido a notícia tem mais de duas semanas.

A primeira surpresa é a inserção dos clubes com poder de voto nesta eleição.

A segunda surpresa é a possibilidade de inscrever novas chapas para disputar a presidência.

Ambas as surpresas só existem porque a juíza desconsiderou o Estatuto da CBDA e o Regimento Interno da Assembléia da CBDA, documentos que impunham certas condições para participar do pleito como as 5 cartas de apoio de federações filiadas.

Na decisão, a juíza argumentou que, de acordo com informações de Licks, o estatuto atual impõe a “manutenção da antiquísima situação”, e que isso – 30 anos de poder – não pode acontecer de novo.

Por isso ela baseou-se exclusivamente na Lei Pelé para determinar quem pode votar neste pleito da CBDA: Federações, Comissão de Atletas e Clubes.

Todos com peso 1. Então teremos 27 votos referentes às Federações, 1 da Comissão de Atletas e, segundo a juíza, 260 de Clubes.

A juíza ponderou que a eleição deveria também contar com o voto de cada um dos atletas (no documento ela cita 70 mil e 141 mil vinculados, números totalmente fora da realidade, puxados de uma consulta cega ao banco de dados que irá incluir atletas não brasileiros, duplicados e aqueles inclusive que já faleceram), e porque a eleição precisa de urgência para ocorrer, eles só serão representados pela Comissão de Atletas.

A Comissão de Atletas já está pronta, mas é preciso passar por uma “auditoria” do próprio interventor para ser divulgada. Lembrando que a eleição dela via site da CBDA terminou dia 4 de abril, e obviamente haviam assuntos de muito mais urgência para considerar do que a divulgação da Comissão.

As Federações de Santa Catarina, Amazonas, Sergipe (esta inclusive sem sede definida no documento) e Alagoas, todas intimamente ligadas e apoiando o candidato-que-nunca-aparece da situação Sérgio Silva, entraram com uma petição no dia 19 de abril oferecendo “ajuda” à juíza na decisão de marcar a eleição obedecendo o estatuto da CBDA, o que teoricamente está favorecendo o candidato-ficha-suja Sérgio Silva, porque a inclusão de clubes na eleição simplesmente pulveriza a tão bradada vantagem que a chapa da situação insiste em dizer – à boca pequena – já que é a única coisa que a chapa Sérgio Silva/Marcelo Amin parece ter: propostas, discussão, aparecer, comunicar ou até mesmo fazer-se presente frente às diversas esferas da qual a CBDA faz parte (como o Ministério do Esporte ou até mesmo o quase-ex-patrocinador Correios) você nunca viu.

A petição é mais uma amostra do desespero que atinge a patota de Coaracy Nunes Filho, Ricardo Cabral e Ricardo de Moura, órfãos dos esportes aquáticos porque seus padrinhos estão presos há quase um mês. Incluir clubes significa certamente perder uma eleição, poder e exposição dos vícios que infestam as federações estaduais.

Passadas apenas 24 horas da decisão, ainda repercute no meio aquático dúvidas, comemorações, desapontamentos e alívio.

O alívio é porque há um prazo para resolver uma grande porcariada que iniciou-se publicamente em 2015, passou por ignorar atos da Justiça e Ministério Público por 2 vezes em 2016, com grande apoio daqueles que agora apoiam também a chapa da situação.

Já as dúvidas são estas, até o momento:

  1. Será aceito qualquer um como candidato? Ao ignorar completamente o estatuto e o regimento, a juíza entra em um problema que será exposto posteriormente. A chapa da oposição, liderada por Miguel Cagnoni, já provou que os dois candidatos da chapa da situação são ficha-suja, ou por não prestarem contas em suas próprias entidades quando eram presidentes, ou por estarem inadimplentes com prestação de contas pública. O que queremos é, no mínimo, um líder que judicialmente esteja limpo porque é o que ele irá trazer para a nova Confederação;
  2. A lista de clubes passada pelo interventor Gustavo Licks à juíza é uma aberração que novamente foi retirada simplesmente do banco de dados da CBDA, sem qualquer análise: ao menos uma equipe é duplicada, outras são clubes falsos como Seleção de Santa Catarina, e pior, outras são na verdade países, como Peru. Qual o critério para definir “clube”? É o mesmo que a Lei Pelé, certamente, “entidade de prática desportiva”. Mas na lista que será divulgada no Diário Oficial constam… empresas, diversas empresas criadas em sua grande maioria para atuar em provas de maratonas aquáticas, o que certamente não faz parte da definição de “clube”, uma associação, ou seja, uma união de pessoas que se organizam para fins não econômicos, com estatuto, sede, direitos e deveres e gestão de contas. O tema é mais profundo certamente, mas ficamos aqui apenas neste exemplo.

O desapontamento, claro, é da chapa da situação que com os padrinhos políticos na prisão, sem acesso ao caixa infinito da CBDA para custear seus advogados (ou ainda pelo próprio advogado da CBDA) e viagens pelo país, virão a suposta vantagem (ainda que deveriam passar pela ação judicial que impedia a participação deles por infração ao estatuto) ir para o beleléu. Tentaram se aproximar da juíza com argumentos pífios.

A comemoração é da equipe da chapa de oposição, que vê com bons olhos a entrada dos clubes – apesar de que este site, Muda CBDA, cobra por clareza e transparência nas regras da eleição, explicitamente apoia a entrada dos atletas, e vice-versa, e que respira aliviada porque competência virou finalmente a moeda de troca no mercado de votos, e não somente o viciado e inútil “voto nele porque ele é meu amigo”.

Um círculo de amizade não pode ser maior que uma instituição que administra 5 esportes no país. É por causa desse círculo que centenas de pessoas foram prejudicadas diretamente e milhares indiretamente. É por causa desse vício de votar pelo amigo e não pela competência que a CBDA atingiu o fundo do poço.

 

Confira a decisão:

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One Response to Juíza decide: Eleição para nova diretoria da CBDA será 9 de junho

  1. Kátia Marques disse:

    Boa tarde,
    em nome da Associação de Polo Aquatico de Santa Catarina, gostaria de saber os critérios utilizados para a seleção das Associações e por qual motivo a APAUFSC, da qual fço parte não esta entre elas.

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