Hoje, dia 9 de junho de 2017, dia da eleição para a presidência, vice-presidência e diretoria da CBDA, será o dia de mostrar a verdade sobre a CBDA. Uma pequena carta emitida pela FINA somente às vésperas comunicando que não reconhecerá o resultado desta eleição tentou tumultuar um processo que vinha a passos firmes, fundamentado e democratizado por leis nacionais que já deveriam ser cumpridas há um ano atrás, ainda na gestão incompetente e prepotente de Coaracy Nunes Filho.

Aliás, o mesmo Coaracy, preso na operação Águas Claras da Polícia Federal e Ministério Público Federal, continua como membro do bureau da FINA, junto com outro companheiro de cela, Ricardo de Moura. E, neste caso, observa de longe seus aliados presos, não pedindo formalmente informações sob a alegação de que o “caso não está encerrado”.

Esta mesma atitude foi tomada no andamento do processo eleitoral que começou dia 22 de março, com a intervenção judicial e a nomeação de Gustavo Licks como interventor (ou administrador provisório como os politicamente correto insistem), mas em 26 de maio a FINA então finalmente comunicou-se com a CBDA mas o conteúdo desta carta não ficou disponível ao público. Em resumo, a entidade internacional cobraria “esclarecimentos” e alertava que não reconheceria a eleição próxima.

Os fatos mostram que tudo caminhou para a situação de intervenção porque Coaracy e Ricardo de Moura ignoraram recomendação do Ministério Público Federal em março de 2016, onde bastava incluir no estatuto – que seria colocado em aprovação em Assembléia – que a Comissão Nacional de Atletas seria eleita pelos atletas e que os clubes filiados tinham direito a voto.

A arrogância e prepotência exaltou-se mais ainda quando na nova redação do Estatuto da CBDA, reduziram o voto da Comissão de Atletas para 1/6 do peso do voto de uma Federação e mantendo que tal comissão seria formada por indicação apenas do presidente da CBDA. E, novamente, ignoraram clubes.

Tudo isso apenas para mostrar ao Ministério Público Federal que a CBDA pode fazer o que quiser porque se julga “uma entidade de direito privado” e praticamente está acima da lei. Vieram as consequências:

  • Dia 4 de março de 2017: Justiça do Rio de Janeiro confirma que a Comissão de Atletas deve respeitar a Lei Pelé e deve ser eleita por seus pares, não indicada. Eleição que seria 18 de março é suspensa indefinidamente.
  • Dia 22 de março de 2017: Coaracy, Moura e Sérgio Alvarenga são afastados judicialmente da diretoria da CBDA porque insistiam em permanecer no cargo enquanto que o mandato havia encerrado dia 9 de março.
  • Dia 6 de abril de 2017: Coaracy, Moura, Ricardo Cabral e Alvarenga são presos.
  • Dia 6 de maio de 2017: Depois de analisar financeiramente a entidade, o interventor Gustavo Licks solicita à Justiça que a eleição seja realizada de caráter urgente e imprescindível para manter a entidade.
  • Dia 9 de junho de 2017: Teremos uma eleição direta na CBDA depois de 40 anos.

Então vejamos: como podem sustentar – como a Federação Aquática de Santa Catarina pleiteou na Justiça – que a eleição CBDA deve seguir um estatuto que não está de acordo com uma lei maior, o Sistema Nacional do Desporto, e que foi questionada sobre sua legalidade por um órgão federal e por Federações da chapa de oposição?

A intervenção, a eleição de hoje e a carta da FINA foram consequências da prepotência em valer-se do termo “entidade de direito privado” como escudo protetor e imbatível.

Tracemos um paralelo e digamos que você escreva no estatuto de sua entidade “de direito privado” que a mesma isenta-se de pagar impostos. Ou, mais radical, que permite que pessoas presas, falidas ou cidadãs de outros países possam assumir a presidência da entidade.

Este estatuto – ao menos nestes trechos – seria sumariamente contestado e eliminado judicialmente.

E a verdade sobre a CBDA é que fazer cumprir leis quando não seus dirigentes prepotentemente não querem seguir não é motivo de suspensão, mas de moralização.

A verdade é que o “clube de privilégios” da dinastia Coaracy nunca previu a participação de ninguém que não seja do seu “curral” eleitoral, porque não teria o controle e mão forte da típica gestão coronelista de Coaracy (depois estendida por Moura) sobre os membros.

O caso da eleição da CBDA não está encerrado e por mais pessimista que sejamos, está perto de ser resolvido.

Há uma conjuntura de fatos que permitem que os tais “esclarecimentos” sejam realizados com brevidade e por completo.

Por exemplo, há uma grande possibilidade e espaço no Comitê Olímpico Brasileiro para requerer apoio institucional no caso, ao contrário do que ocorreu com o caso do basquete brasileiro CBB x FIBA, onde existe débitos com a entidade internacional de basquete.

Existe também possibilidade e espaço no Ministério do Esporte, que apesar de corretamente não se pronunciar sobre o assunto, mal espera ver finalizado o processo para saber com quem deverá lidar sobre convênios, documentação e recursos.

A verdade sobre a CBDA é simples: ela precisa de comando. E este comando chega hoje. Interventor não pode correr atrás de novos patrocínios, realizar convênios, “esclarecer” a FINA, reajustar calendário, providenciar recursos e condições para levar a seleção de polo aquático ao Mundial de Budapeste, e tantos outros assuntos que exigem uma administração sólida e não provisional.

Também é verdade que, sarcasticamente, os aliados da dinastia Coaracy, comemoraram a carta e espalharam aos quatro cantos das redes sociais que a entidade está suspensa, os atletas não podem mais competir e que o caos está instaurado, mas além de comunicar falsamente a comunidade – o que aliás vem sendo o modus operandi, relembrando da nota irresponsável que “cancelava” campeonatos brasileiros no fim de 2016 – esquecem que todos estão dentro do mesmo caldeirão e, portanto, compartilharão das mesmas consequências, mesmo que com as mãos sujas digam que não tenham nada a ver com isso ou que ainda “tentaram avisar”.

A verdade sobre a CBDA é que ela nunca teve um processo democrático, uma eleição direta, e por isso causa estranheza àqueles que estão acostumados com o coronelismo-aclamação. E omitem a verdade que Miguel Cagnoni, o candidato da oposição e agora ex-presidente da Federação Paulista, venceu 3 eleições diretas para presidência da Federação em 20 anos. Isso está longe de ser considerado “ditadura”, ao contrário da entidade nacional.

Mesmo as escolhas de quem receberia suporte financeiro dos Correios, ou ainda os critérios de convocação, ou até mesmo a própria convocação de atletas não era realizada dentro de um processo democrático e, pior, transparente. Valendo-se da frase “A CBDA se reserva ao direito de resolver os casos pendentes, sempre na condição de se formar a melhor composição brasileira“, você nunca via transparência nos casos pendentes, já que os mesmos eram discutidos apenas internamente entre a alta diretoria e UM diretor técnico.

A verdade sobre a CBDA é que a entidade está financeiramente saudável, mas incapaz de prosseguir com qualquer outro projeto se não houver uma ação por parte de um verdadeiro comando. Ainda assim, haverá percalços e resquícios de ações tomadas pela antiga e deposta diretoria.

A verdade é que chegamos ao fim de uma longa estrada pedagiada e esburacada e estamos dando o primeiro passo em uma rodovia asfaltada e sem pedágio. Não é difícil concluir que tentarão colocar quebra-molas nesta estrada, mas para quem já andou milhares de quilômetros danificando seu veículo, a CBDA, serão surpreendidos pela qualidade que será implementada e, enfim, descobrirão que a verdade sobre a CBDA é que viveram uma mentira por 29 anos.

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