[ATUALIZAÇÃO 13 JANEIRO 2017]

Depois da divulgação deste texto, recebemos algumas mensagens afirmando que a CBDA também não cumpriu os pagamentos para os árbitros que trabalharam no Campeonato Brasileiro Juvenil – Troféu Carlos Campos Sobrinho, realizado de 30/nov a 2/dez/2016, na cidade de Curitiba, Paraná. Agora são 3 competições confirmadas com pouco mais de uma centena de profissionais compareceram, trabalharam e assinaram recibos, mas que não receberam o pagamento da entidade.

Detalhe: os calotes aconteceram em estados que apoiam a situação (Sergipe e Paraná) e no estado do candidato à vice-presidência da situação (Santa Catarina).

[FIM ATUALIZAÇÃO]

Algumas dezenas de pessoas, profissionais da arbitragem da natação, estão silenciosamente decepcionadas – e bravas – com a CBDA e aguardando o pagamento que lhes é devido por serviços prestados nas duas últimas competições da temporada.

O Torneio Open Correios-CBDA foi realizado de 23 a 26 de novembro de 2016, no Parque Aquático da Unisul, em Palhoça, Santa Catarina. O Campeonato Brasileiro Infantil – Troféu Maurício Bekenn, foi realizado de 7 a 10 de dezembro, no Parque Aquático Zé Peixe, em Aracaju, Sergipe.

Equipe de arbitragem que trabalhou no Torneio Open, em novembro de 2016

Equipe de arbitragem que trabalhou no Torneio Open, em novembro de 2016

Apesar de trabalharem e assinarem recibos, a grande maioria dos árbitros ainda não recebeu o pagamento (R$ 640 por cada competição, considerado-se a tabela de pagamentos por etapa da própria CBDA, R$ 80 por etapa, exceto para árbitros FINA, cujo valor é 50% maior). Diversos árbitros consultados questionaram a CBDA do porquê do atraso do pagamento e a resposta é… falta de dinheiro!

Um quadro de arbitragem em um campeonato nacional é composto entre 32 a 40 pessoas, incluindo-se funcionários da própria CBDA. Calculemos então, por baixo, o tamanho dessa dívida. 32 profissionais x R$ 640 = R$ 20.480. Duas competições = R$ 40.960.

É de se estranhar dizer que falta 41 mil reais no caixa da Confederação, ainda mais que houve uma extensão do contrato 334/2012 dos Correios (conteúdo e valor confidencial) no mês de dezembro que teoricamente era para cobrir as despesas totais destes dois campeonatos. O valor devido é menor que o custo da tal UTI móvel utilizada no no Troféu Maria Lenk

Numa rápida pesquisa nas redes sociais, árbitros que participaram das competições nada expuseram sobre o calote, mas em grupos de Whatsapp, a história é bem diferente e reclamam do descaso e do atraso demasiado. Mas todos pedem anonimato e que suas específicas reclamações não sejam publicadas…

Os árbitros não querem reclamar publicamente porque obviamente temem retaliação, que basicamente é a “expulsão” do quadro de arbitragem para participar dos lucrativos campeonatos nacionais. E citam a Cobran, Comissão Brasileira de Árbitros de Natação, como responsável pela possível punição.

A Cobran é uma Comissão anunciada em abril de 2015 (http://www.regrasdenatacao.com.br/comissao-nacional-de-arbitragem-e-criada/) e que, por enquanto, trouxe mais controvérsias do que benefícios à arbitragem. Atribuindo-se a si o poder para decidir as escalas nacionais e internacionais de arbitragem brasileira, a Comissão foi criada sob protesto jurídico, já que a CBDA já tinha sua própria coordenadoria de arbitragem (cujo presidente era Ruben Márcio Dinard e que foi dissolvida em 2016 de acordo com o organograma da entidade), repetindo a estratégia coronelista da CBDA para conter insatisfações, protestos e contestações de convocações de árbitros.

Vale lembrar que a CBDA historicamente arca com um custo de arbitragem alto e muitas vezes desnecessário, optando por arcar com despesas de viagem, hospedagem e alimentação, além das diárias, de árbitros – FINA ou não – originalmente localizados distantes da sede da competição do que optar por utilizar um árbitro local ou muito mais próximo.

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