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Edvaldo Valério: medalha olímpica não garante patrocínio. Nem continuar na seleção.

O baiano Edvaldo Valério veio ao mundo na Olimpíada de Sydney 2000, quando colocou o revezamento 4x100m livre do 6o. ao 3o. lugar. Comemorou muito ao lado de Gustavo Borges, Fernando Scherer e Carlos Jayme a única medalha obtida pela natação brasileira naqueles Jogos Olímpicos.

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A prova foi emocionante, confiram:

Edvaldo foi paparicado aos pela imprensa:

Mas da CBDA sobraram ressentimentos.

Passaram-se 6 meses depois da Olimpíada, e Edvaldo, que tem uma ótima história de superação, e seu contrato com a CBDA e os Correios foi encerrado.

Recebia R$ 4.000 mensais.

Depois de findar o seu contrato em 2000, Edvaldo ainda competiu pela seleção brasileira no Mundial de Fukuoka, no Japão, em 2001, e também no Campeonato Sul-Americano de Esportes Aquáticos de Belém, em 2002. E ganhar também.

O contrato entre Correios e CBDA durante a época da Olimpíada de Sydney era de R$ 3.625.000. Valia de abril de 2000 a janeiro de 2001.

Naquela época, Edvaldo procurou o presidente da CBDA, Coaracy Nunes para querer saber o porquê de não ter patrocínio desde então.

“Antes da Olimpíada ele havia me prometido um apoio caso ganhasse medalha na Olimpíada… Chegou a falar em me dar o mesmo que Gustavo [Borges]. Depois da Olimpíada tive mais 6 meses de patrocinio e depois ele cortou. Já lá no Sula de Belém estava sem patrocínio a um tempão. Briguei com ele em rede nacional através da Rede Globo. A falta de critério na época para dar o patrocínio dos Correios foi o estopim. Ele dava quando queria e a quem queria”, relata Edvaldo a este jornalista.

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Aí então veio um “cala-boca”: R$ 2.000 por 3 meses. E só.

Edvaldo aposentou-se em 2009, dentre as justificativas a falta de apoio financeiro.

A falta de transparência nos critérios de distribuição de patrocínios também não foi novidade para o técnico pernambucano João Reynaldo Nikita, que sofreu represália por parte do presidente Coaracy através de um processo judicial mas que no fim, 3 anos depois de exigir transparência em um congresso técnico de abertura de campeonato brasileiro, desgastou-se mas venceu:

Quer dizer, venceu a batalha jurídica, porque os critérios para patrocínio individual continuaram sem qualquer divulgação.

Mas se você conferir o contrato de fevereiro de 2001 (no valor de R$ 4.500.000) entre a CBDA e os Correios, poderá verificar o seguinte no item 13.5:

Caso qualquer um dos atletas individualmente patrocinados pela PATROCINADORA não consiga índice suficiente para competições internacionais, sendo eliminado das Seleções Brasileiras de Desportos Aquáticos, ou não cumprindo integralmente as cláusulas constantes de seu Contrato de Patrocínio Individual, conforme previsto no item 2.16, Cláusula Segunda deste Contrato, seu patrocínio será automaticamente cancelado, não cabendo à PATROCINADORA quaisquer ônus adicionais ou indenizações;

Então, numa análise racional, o item acima diz que o atleta tem patrocínio individual se fizer parte da seleção brasileira e cumprir o tal contrato individual.

E porquê Edvaldo então não recebia? Se ele estava na seleção brasileira que foi a Fukuoka e a Belém? Poderia ser o contrato individual?

Alguém já viu esse contrato? O componente da chapa Muda CBDA como vice-presidente, Rodrigo Rocha Castro, gentilmente cedeu um de seus contratos para publicação. Confira como é:

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Contrato de patrocínio por 5 meses. Este contrato só foi possível porque Rodrigo conseguiu a vaga na seleção brasileira que foi a Roma disputar o Mundial de Esportes Aquáticos em 2009. Mas por apenas 5 meses?

A palavra “patrocínio”, segundo o dicionário Houaiss, significa ato ou efeito de amparar; auxílio, ajuda, proteção. Mas de acordo com os relatos e estes documentos, estes contratos individuais está mais com cara de “prêmio” pela “honra” de constar numa seleção brasileira do que naturalmente amparar um nadador, que depois e antes dos 5 meses de patrocínio continua a treinar 12 meses por ano.

E olha que nem sempre estar na seleção brasileira significa receber patrocínio, até mesmo a absoluta.

Conquistar medalha olímpica também não é garantia.

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