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Em crise financeira, CBDA assume Parque Aquático De Lamare

A notícia veio ontem, divulgada pela própria CBDA, e amplificada pelo Blog do Coach. Veja os textos:

GOVERNO DO RJ ACERTA A CESSÃO DO JÚLIO DE LAMARE À CBDA

Foto: CBDA/Divulgação Governo do RJ acerta a cessão do Júlio de Lamare à CBDA24/02/2016 18:53:39 

Rio de Janeiro/RJ – Em reunião encerrada há poucas horas, nesta 4ª feira (24/2), o governo do estado do Rio de Janeiro e a CBDA acertaram a cessão da administração do parque aquático Júlio de Lamare, no complexo esportivo do Maracanã para a entidade que administra os esportes aquáticos brasileiros.O Secretário estadual de esportes, Marco Antônio Cabral, e o presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, dr. Coaracy Nunes Filho acertaram os ponteiros de uma grande notícia para o desporto brasileiro. O parque composto por uma piscina olímpica, outra semi-olímpica e um tanque de saltos ornamentais e que foi palco de tantas competições de vulto nacionais e internacionais renasce e voltará a brilhar em breve

Palco da competição de polo aquático dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, quando a seleção brasileira masculina conquistou a medalha de prata, e do 1º Mundial Junior de Natação, que serviu de evento-teste exatamente para o Pan, revelando jovens talentos, hoje consagrados como a espanhola Mireia Belmonte, medalhista olímpica e mundial, o Júlio de Lamare entra em obras no início de março até o mês de julho, quando sua administração passará para as mãos da CBDA.

Informações mais detalhadas serão divulgadas em breve.

Eliana Alves / Souza Santos / Mariana de Sá

Fonte: http://www.cbda.org.br/cbda/geral/noticias/17312/governo-do-rj-acerta-a-cessao-do-julio-de-lamare-a-cbda#


Quinta-feira, 25/02/2016 às 08:53 por Alex Pussieldi

A notícia do ano! 

Uma reunião entre o Secretário Estadual do Esporte Marco Antônio Cabral e o Presidente da CBDA Coaracy Nunes ontem selou um acordo fantástico para os esportes aquáticos do Brasil.

A CBDA, a partir de julho, será a responsável pela gestão e administração do Parque Aquático Julio de Lamare. Isso é um passo enorme para o futuro e o legado das modalidades aquáticas. É a possibilidade de produção, desenvolvimento e apuro de equipes competitivas, de projetos sociais, organização de competições e eventos, organização de clínicas e training camps. É infinita a possibilidade de serviços, oportunidades e opções que se abrem num leque de uma administração voltada para o esporte.

Se há algo que precisa ser dito é que o Parque Aquático Julio de Lamare só está onde está, e se manteve sem ser derrubado, graças a Coaracy Nunes. É todo dele este mérito. Seja pela intempestividade, o arrojo, a coragem, (as vezes até a loucura), Coaracy bateu de frente e venceu esta batalha. Agora, é outra vitória, tão grande como a anterior.

O Parque Aquático Julio de Lamare entra em reformas nos próximos dias. Vestiários, piscina, arquibancadas, pavimentação, torre de saltos ornamentais, o elevador, tudo isso precisa ser reparado, mais revisão no sistema hidráulico e elétrico. Tudo isto está orçado em 10 milhões de reais.

As obras iniciam agora e vão até março. O Julio de Lamare ainda vai ser utilizado para treinamento das equipes dos esportes aquáticos nos Jogos Olímpicos.

Depois disso, a CBDA assume. Um complexo com um potencial tremendo. Uma piscina olímpica, uma semi-olímpica, uma caixa de saltos ornamentais e arquibancadas de grande porte. É difícil fazer um complexo aquático gerar lucro, mas pode (e deve) ser auto-sustentável. Um desafio tremendo para a CBDA que agora vai ter de desenvolver um programa de gestão para o local.

Uma vitória e tanto para os esportes aquáticos do Brasil.

Fonte: http://sportv.globo.com/site/blogs/especial-blog/blog-do-coach/post/noticia-do-ano.html


 

O que parece ser uma boa notícia, comemorada precocemente, na verdade é um joguinho de auto-promoção.

Os protestos em torno da derrubada do Parque Aquático Julio de Lamare ocorreram em julho de 2013, um ano antes da Copa do Mundo (relembre), mas já havia reclamação pública desde maio (relembre).

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Naquela época, Coaracy Nunes disse que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, “pisou na bola”, em referência à omissão de apoio do COB ao local, que havia recebido uma reforma de R$ 10 milhões para o Pan-Americano de 2007, e ainda outros poucos milhões para realizar o I Campeonato Mundial Junior da FINA, em 2006. Sobrou espaço ainda para criticar o então governador Sérgio Cabral.

E o governador disse que o problema não era dele (relembre). Um jogo de empurra-empurra com cartas marcadas.

A derrubada do de Lamare tinha um argumento econômico: o Consórcio Maracanã, que recebeu do Governo do Estado (o real dono), era responsável pelas obras da Copa do Mundo e no plano de reforma estava incluso a destruição do Estádio Célio de Barros, local de provas de atletismo, para criar um estacionamento, e o Julio de Lamare para criar um shopping.

O Célio de Barros foi destruído, mas em meio à destruição de um prédio onde ficava a sala de treinamento de saltos ornamentais, uma liminar foi concedida aos “amigos do Julio de Lamare” e a destruição foi paralizada.

Copa passou, Pan passou e muitos Campeonatos Brasileiros de Natação passaram. E o cenário de degradação começou a aumentar, e com a crise do zika vírus/dengue, as piscinas do Parque foram alvo de críticas da população, já que com a destruição paralizada, nenhuma obra foi feita desde a liminar e o uso das piscinas foi interrompido desde 2013. Dois anos e meio depois, aparece esta notícia, de que a CBDA irá administrar o Parque Aquático Julio de Lamare.

Relembremos que o Parque Aquático Maria Lenk está sob administração – deficitária – do COB, e que o novo Parque Aquático Olímpico será desativado ao término dos Jogos Paralímpicos. O Governo Federal e Estadual dizem ter um plano para as piscinas e as arquibancadas.

Mas acompanho cético toda essa movimentação.

Primeiro que administrar um parque aquático semi-destruído e sem manutenção por 2 anos (apesar de dizerem que o local foi reaberto…) não requer dinheiro: requer MUITO dinheiro para apenas começar.

Segundo que – provavelmente, não há ainda nada oficial – o dinheiro virá do governo estadual, o mesmo governo que alega não ter dinheiro para pagar hospitais e que faz cotenção de despesas para a Olimpíada.

https://youtu.be/nuZvTwvgZ_w

Terceiro que, em meio à cancelamento de realização de Campeonatos Brasileiros de Inverno sob a justificativa de que a CBDA está concentrando seus esforços na Olimpíada, parece-me uma grande irresponsabilidade uma entidade julgar que conseguirá administrar um Parque Aquático, sendo que mal consegue administrar seu calendário nacional com poucas dezenas de competições, cancela projetos previamente planejados visando o preparo para Rio 2016 com a justificativa do aumento do dólar, e infla sua estrutura organizacional com funcionários que por vezes são meras indicações (ou imposições) do COB.

E, por último, é impossível acreditar que a entidade CBDA irá administrar um complexo esportivo e que essa administração irá gerar lucro, pois desde que tem o patrocínio dos Correios – 1991 – nunca demonstrou saber economizar e criar mais fontes de receita, apenas soube gastar pautado em medalhas de ouro obtidas em Campeonatos Mundiais e Olimpíadas, reportando-se à mídia como se todo o gasto foi válido.

Mas vejam bem, não são as piscinas que estão em jogo aqui. A CBDA era sediada no Julio de Lamare e foi obrigada a sair de lá para ir ao seu imóvel no centro do Rio de Janeiro em 2013, sob a justificativa das obras da Copa do Mundo. Era um local cômodo: não pagava IPTU, água, luz, era muito bem localizado e ainda tinha um amplo estacionamento à sua disposição.

E ouviremos muito como “podem cobrar”, “eles vão fazer”, “uma super-iniciativa”, “estão de parabéns”. E seremos novamente enganados.

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