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Qual o problema da CBDA?

Faltando praticamente 3 dias para a Assembléia Geral Extraordinária que irá tratar de aprovar ou não os dois documentos mais importantes da entidade – o Estatuto e o Regimento Interno da Assembléia Geral – e uma nebulosa em cima de uma decisão judicial para remover imediatamente Coaracy Nunes, Ricardo de Moura, Ricardo Cabral e Sérgio Alvarenga dos cargos de presidente, coordenadores e diretor da CBDA, o cenário para os próximos 15 dias é horrível.

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Acabou agora o Campeonato Brasileiro Interfederativo Junior, com a participação mínima de 81 atletas, categoria que já sofre com problemas escolar-universitário – agora com mais evidência por causa das notícias da mudança do ensino médio – e mais duas semanas teremos o mais importante campeonato brasileiro para infanto-juvenil, o Troféu Chico Piscina.

Depois é uma incógnita.

O contrato atual dos Correios, “o mais longevo patrocinador estatal da história esportiva”, vence em novembro de 2016. Entre novembro e dezembro existirão mais 4 Campeonatos Brasileiros, 1 Campeonato Mundial e 1 Jogos da Juventude.

Sem patrocínio dos Correios, o que irá acontecer? A primeira coisa que irá acontecer é uma remaquiagem total de material de papelaria, site, sede, banners, material de marketing de piscina, camisetas, uniformes, bonés, calças… Todo este material apresenta a logomarca dos Correios e, sem o patrocínio, perde-se esta exposição e também o direito de utilizá-la.

Toda esta introdução foi para chegar em um ponto sensível de toda a escandalosa história de prepotência, arrogância e mentiras: sem patrocínio dos Correios, atletas e técnicos ficarão sem salário da CBDA. Ou “auxílio social” como bem consta em contrato dos Correios.

O problema que a própria CBDA criou respinga forte em quem não tem nada a ver com a história. Mas isso não é verdade.

Os atletas têm a ver sim com a história. Os técnicos também. Tanto que eles têm direito a voto numa Assembléia, mas nunca foi necessário pois Coaracy – junto com as 20 Federações que diz ter “palavra” deles – eliminava qualquer concorrência em nome de “eleição democrática”. Então o fato é que os atletas nunca foram ouvidos diretamente numa Assembléia, desde que a própria categoria dos atletas ajudou Coaracy a derrubar Ruben Dinard de Araújo da presidência da Confederação. Isso foi em 1986-1987.

Desde 2000, a CBDA vem selecionando atletas para receberem “auxílio social” sem critério claro, com valores secretos (“você vai receber x, não diga a ninguém quanto você recebe” foi uma frase recorrente quando atletas entravam numa sala para assinar um contrato) e totalmente irregular, exceto para poucos nomes da natação.

E desde aquela época, atletas e técnicos submeteram-se aos mandos e desmandos de Coaracy e Moura, como participar de eventos e competições que nada tinha a ver com o planejamento do atleta. Tudo sob a pena de ter seu salário cortado. E calaram-se.

Assistimos a uma reportagem da Sportv sobre o problema que envolveu a Confederação Brasileira de Futsal. Atletas faziam greve e não jogavam por meses, como forma de pressionar que o presidente da entidade renunciasse. Deu mais ou menos certo, foi um imbróglio que durou 4 anos, atletas sim foram prejudicados, mas foi uma guerra e toda guerra tem danos colaterais.

Ontem e hoje notícias do Raia Rápida, maior evento de natação privada do país, está estampada em jornais e sites, e é a única competição de natação que é transmitida pela TV Globo ao vivo (claro, porque com iniciativa privada e inteligência souberam vender um bom produto à TV, ao contrário da CBDA que mantém formatos ultrapassados do século passado e nada atrativos para TV). Naturalmente o assunto CBDA surge e Bruno Fratus e João Gomes Junior apenas querem que isso termine mas que o patrocínio dos Correios mantenha-se, afinal, é um ganha-pão para eles.

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O candidato da oposição, Miguel Carlos Cagnoni, também teme pelo fim do patrocínio dos Correios. Diz que tornará o trabalho difícil sem a verba da empresa estatal.

E só temos esta situação porque o problema da CBDA é a própria CBDA, porque o problema foi causada por seu presidente e seus diretores. Culpar o Ministério Público Federal por investigar a Confederação é como um político declarar que desvia recursos porque todo mundo faz e que não é ele quem deveria ser investigado, mas os outros que “inventaram” a corrupção. Aliás, a denúncia ao MPF só começou por iniciativa de Wilson Caldeira, um amante do polo aquático, que segundo relatos verbais, teria conhecido pessoalmente como funciona o esquema Coaracy Nunes de tratar negócios.

Com futuro incerto para a atual diretoria da CBDA, que neste momento está mais preocupada em sua própria defesa do que no desenvolvimento de qualquer projeto para o próximo ciclo olímpico, o fato é que esta denúncia e investigação mostra que a natação brasileira está refém da CBDA. Se ela está mal, a natação também irá mal.

Foi uma jogada de blefe incrível o que fizeram com os quase 100 milhões de reais dos Correios obtidos nos últimos 2 anos. Pediram uma quantia exorbitante para um investimento que incluía comprar atletas e técnicos e gastaram todo o dinheiro esperando que qualquer medalha obtida no Estádio Olímpico no Rio 2016 seria usada tanto como moeda de troca para renovação de patrocínio, quanto como justificativa do valor pago à CBDA. Isso vem ocorrendo desde 1996, com as 3 medalhas olímpicas de Atlanta: medalha olímpica dá visibilidade e é popular.

E não há outro caminho que não a profissionalização da entidade. Acabar de vez com o amadorismo patrocinador versus plaquinhas na piscina. Acabar com a excessiva dependência de poucos patrocinadores e um grande patrocinador estatal. Acabar com os gastos excessivos em determinadas competições: 750 mil reais num Troféu Maria Lenk sem público e até sem custos com piscina é surreal em comparação com outros campeonatos de nível nacional e muito mais ainda comparando com campeonatos estaduais. E com dirigentes viciados em trabalhar apenas gastando, não há possibilidade de se obter resultados com profissionalismo. Por isso apoiamos a oposição encabeçada por Miguel Carlos Cagnoni e Luiz Fernando Coelho.

Se há, diga-nos.

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