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O coronelismo da CBDA: eu pago o seu salário

Faltam apenas um dia para a realização da Assembléia Geral Extraordinária, e ainda não há nenhuma divulgação sobre o pedido de liminar solicitado pelo Ministério Público Federal contra a CBDA e seus diretores. A decisão existe, mas uma petição anexada ao pedido interferiu na publicidade do caso, muito provavelmente ajuizada pela própria CBDA, apesar de não haver confirmações. Especula-se que o caso ganhou segredo de justiça.

Mas o assunto deste texto é um que vem sendo a rotina do presidente da CBDA, Coaracy Nunes Filho, e passada como herança para Ricardo de Moura: o coronelismo da natação.

Funciona da seguinte forma: eles, com o poder de presidência, ameaçam todos economicamente e politicamente. Você, como Federação, é contra a minha vontade e minhas decisões? Nunca mais receberá nada da CBDA e não levarei mais nenhuma competição para seu estado. Você, atleta, está me criticando ou atacando a CBDA? Nunca mais receberá nada da CBDA e vou dificultar ao máximo a sua convocação para qualquer competição. Você, técnico, está achando ruim sobre o técnico que indiquei para seleção? Pois fique sabendo que nunca mais será convocado para nada.

O estilo não poupava ninguém, tampouco o agora candidato à presidência Ricardo de Moura. Em 2012, após a Olimpíada de Londres, antes de começar o Troféu José Finkel na nova piscina do SESI de São Paulo, na Vila Leopoldina, Coaracy e Moura desentenderam-se publicamente entre berros e a discussão calorosa terminou com um rápido anúncio de que Moura estaria fora da CBDA. A notícia foi noticiada:

MUDANÇA Nos bastidores do José Finkel, cresceram os rumores de que um dos principais homens da CBDA, o coordenador Ricardo Moura, já estaria demitido e que a partir de segunda-feira, ao término da competição, não faria mais parte do quadro da entidade.O motivo da demissão seria o fracasso da natação brasileira nos Jogos de Londres, quando conseguiu apenas duas medalhas: uma de prata, com Thiago Pereira, nos 400m medley, e um bronze, de César Cielo, nos 50m livre.

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É até irônico pensar que em 2012 as medalhas de prata de Thiago Pereira e bronze de César Cielo foram considerados “fracassos”…

São histórias sempre com este mesmo enredo que chegam aos nossos ouvidos, desde 2000. Em 2004, houve a primeira grande repercussão com o caso de Eduardo Fischer, Prefeitura de Joinville e CBDA. Fischer quis saber mais sobre o contrato de valores diferentes do acertado, e o contrato entre Prefeitura, atleta e CBDA foi cancelado.

Em 20 de junho de 2013, o então presidente da Federação Aquática de Rondônia, Nadylson Marcelino Brandão Rodrigues tornou público sua indignação contra Coaracy e CBDA enviando e-mail a todos os presidentes de federações:

Amigos Presidentes,
 
         Mais uma vez caímos no conto do vigário, e diga-se de passagem “um vigário Presidente”, esperto e matreiro.
         Na ultima Assembléia Geral da CBDA não fomos pegos de surpresa não, fomos sim ingênuos e pueris ao ponto de elocubrar mais uma vez situações, passando um atestado de 100% de toda nossa credibilidade a outrem, para dirigir por longo tempo verbas, projetos, pessoas, sonhos e destinos, da forma que bem entender; creiam e acreditem que as Federações não fazem parte dessa ideia olímpica traçada pelos honrados membros da CBDA.
         Tivemos a real possibilidade de reverter essa pendenga financeira-administrativa, infelizmente não fomos hábeis o suficiente para mantermos o que tínhamos acordado na véspera da votação, muitos de nós se acovardaram, mudaram de discurso na hora do olho-no-olho, simplesmente fraquejamos e temos, todos, de nos colocarmos em igual condição quanto ao não alcance de nossa reivindicação maior que era a “ajuda” ou repasse financeiro mensal, que iria “salvar” a grande maioria das Federações estaduais.
         Ressaltando um linguaja até certo ponto chulo, percebo a um bom tempo, que a CBDA está nem um pouco se lixando com as Federações, ela apenas usa de forma promíscua nossas entidades para darmos legitimidade, sustentabilidade e credibilidade para que ela, CBDA, consiga efetivar os vultuosos contratos com os Correios e outras grandes empresas, em troca de uns famigerados computadores, sistemas eletrônicos de competição (placas, etc.) e as já famosas medalhas, que diga-se de passagem não estava ao alcance de todos, não esquecendo da hospedagem “placeba” que ocorre uma vez ao ano por ocasião da AG, apenas isso, sem esquecer os muitos blá, blá, blás…
         A CBDA, ou o Coaracy, não conseguem perceber que todo o trabalho com as suas cinco modalidades olímpicas se dá a partir de sua base nos Clubes, Associações e Escolinhas de Natação, indo além, prosseguindo até o ápice do sucesso dos atletas, sendo apoiados de forma abnegada pelas Federações que por vezes mendiga em parceria com os Clubes às portas de governos e empresas tentando concretizar ações. Falta-lhes a sensibilidade e visão para se investir em um suporte financeiro significativo para qualificar metas locais e dessa forma alavancar de forma sustentável o desporto aquático brasileiro a partir de sua base, valorizando a regionalização de modo contínuo e duradouro, onde na atualidade, paga-se mal treinadores, oferece-se prêmios insignificantes aos atletas e entidades, pais explorados, sendo comum aos dirigentes exercitem a abnegação e a corda bamba financeira.
         Pra finalizar amigos, creio que ainda há solução para resolvermos essa pendenga, vamos aproveitar o momento social por que passa nosso Brasil com esse movimento nacional expressado de forma emblemática nas ruas e vamos pro embate, finalmente. CONCORDO com o colega Presidente Márcio do Maranhão e vamos fazer um grande boicote às competições do Calendário Nacional; possa ser que tenhamos outras ideias de confronto, colocá-las em prática será necessário, quem sabe. Vamos demonstrar nossa insatisfação, somente assim eles nos perceberão… vamos parar de sermos covardes e agirmos de forma bem mais enfática em nossas atitudes, vamos deixar um legado, está na hora de fazermos história, vamos dar um basta e pararmos com essas conversinhas com a CBDA, sem direção e objetividade, vamos nos arrepender pelo que fizemos e não pelo que poderíamos ter feito, é mais digno, e lembro que dessa vida não levamos nada, apenas nossa história e nossa dignidade. Ainda há tempo!!!!!
 
Pronto, aloprei…
…tenho dito.
 
Nadylson.
Não demorou e a resposta veio de forma oficial, através de boletim, e novamente rebatendo toda e qualquer acusação, e novamente ameaçando de processo criminal por – aqui é uma outra constante – atingir a honra pessoal:

ESCLARECIMENTOS

Rio de Janeiro, 05 de julho de 2013

Ilmo.Sr.

Presidente de Federação

Permita-me fazer alguns comentários sobre a carta-circular enviada à algumas Federações filiadas à CBDA, de autoria do Sr. Nadylson Rodrigues, no cargo de Presidente da Federação Aquática do Estado de Rondônia, acusando a minha honra pessoal e de Presidente desta Entidade.

Preliminarmente, devo afirmar que após 23 anos à frente desta Confederação, nunca recebi uma carta de reclamação ou pedido que não fosse atendido do Sr. Nadylson Rodrigues,

Desejo esclarecer que em contato com o Presidente Márcio Cunha da Federação Maranhense, o mesmo nos afirmou que desconhecia qualquer  movimento para boicotar os Calendários Nacionais da CBDA.

O meu relacionamento com todos os Presidentes, inclusive com o de Rondônia,  foi sempre  de respeito e de consideração.

Vamos agora tratar dos pedidos do Sr. Nadylson Rodrigues:

Em 2010, foram enviados através do Ofício nº 428 de 13/04/2010,10 cronômetros,  pelo  ofício 549  de 28/04/2010,  enviamos 2 mil medalhas e pelo ofício 810 de 10/06/2010,  l note book e uma impressora.

Em 2011, a Federação do Estado de Rondônia recebeu 2 mil medalhas, enviadas através do ofício de 1011 de 28 de julho de 2011.

Em 2012,  a Federação Aquática do Estado de Rondônia recebeu através do ofício 904, 2 mil medalhas e ainda foi enviado o seguinte material eletrônico da Colorado Time System:  1 star system, 1 score board, 8  placas modelo TP60F, 1 cabo principal e 16 peras, ou seja, um material eletrônico capaz de realizar qualquer tipo de competição de nível nacional. Em 2012, foi enviado ainda um jogo de raias para piscina de 50 metros.

Em 2013, através do ofício 598 de 29/04/2013, encaminhamos 3 mil medalhas para as competições da Federação filiada. Portanto, comprovamos assim, que atendemos todas as solicitações do Sr.Nadylson Rodrigues
Se mais não fizemos é PORQUE NÃO RECEBEMOS NENHUMA OUTRA SOLICITAÇÃO.

Pelo visto, o Sr Nadylson Rodrigues quer é aparecer por 15 minutos como herói de uma causa, sem nenhum fundamento.

Vamos agora,  tratar da nossa missão em Brasília. Fomos com o Sr. Marcelo Amin, Presidente da Federação Aquática de Santa Catarina, com o Dr. Ricardo Leyser, Secretário Nacional de Esporte de Alto Rendimento, para solicitar o apoio financeiro às nossas Federações filiadas.   O Dr. Ricardo Leyser informou enfaticamente que somente o Ministério poderia auxiliar àquelas Federações que estivessem com todas as Certidões Negativas em dia e através da CBDA.

Alguns Presidentes já estão mandando essas certidões que serão enviadas ao Ministério do Esporte, quando iremos pessoalmente tratar do assunto.

Apesar do Sr Nadylson Rodrigues, a luta irá continuar no Ministério do Esporte.

Repudio inteiramente os termos da carta circular enviada a alguns Presidentes de Federações.

A luta para manter a Confederação de pé com todos os seus programas e projetos em benefício dos esportes aquáticos, levaram a CBDA a estar entre as 3 principais Entidades Nacionais de maior credibilidade e prestígio esportivo, obtendo  o maior número de medalhas em Jogos Olímpicos.  Nos  Jogos Pan-Americanos se a CBDA fosse um país, ficaria em 7º lugar, entre todos os países Panamericanos.

Peço desculpas aos Presidentes por ter me excedido em alguns trechos deste boletim, mas não poderia deixar sem resposta as ignorâncias e os termos usados pelo Sr. Nadylson Rodrigues, para atingir a minha honra pessoal,.

O que espero dessa pessoa agora, é uma retratação, pois  se essa atitude não for tomada pelo Presidente da Federação Aquática do Estado de Rondônia, irei estudar um modo de responsabilizá-lo criminalmente por todas as ofensas contidas na carta circular.

Continuo contando com a colaboração e solidariedade de todos.
Atenciosamente,

Coaracy Nunes Filho
Presidente

Duas outras histórias recentes – e ocorridas em local público, com várias pessoas assistindo à discussão – ilustram como o presidente da CBDA trata os presidentes de federações. Uma delas ocorreu em Curitiba, durante o Campeonato Brasileiro Juvenil de Verão – Troféu Carlos Campos Sobrinho – realizado no Clube Curitibano em dezembro de 2012. Na época o presidente da Federação de Desportos Aquáticos do Paraná era Luiz Fernando Graczyk. Relatos chegaram afirmando que Coaracy bradou com Graczyk com dedo em riste, além de ofendê-lo verbalmente. Situação similar ocorreu em março daquele ano, durante o Campeonato Sul-Americano de Natação, realizado na ADESEF, em Belém, Pará. A presidente da federação na época, Ellen Cristina Castro, foi agredida verbalmente novamente por Coaracy, em frente à equipe de arbitragem. Ellen, chorando, foi consolada pelos árbitros, mas nenhuma ação foi tomada pelos presidentes ameaçados e humilhados.

Com técnicos, a situação financeira ruim deles permite que sejam um alvo fácil da CBDA em termos de ameaça. O mais notório caso da CBDA contra um técnico de natação é o de João Reinaldo Costa Lima Neto, o Nikita, ex-técnico de Joanna Maranhão e Etiene Medeiros – apenas para citar alguns – que foi processado criminalmente pelo próprio Coaracy por injúria e difamação. Tudo porque Nikita questionou, em 2008, no congresso técnico do Campeonato Brasileiro Junior e Sênior e Torneio Open, onde estava a prestação de contas da CBDA com os Correios e onde estavam os critérios de distribuição de verba para os atletas. A competição foi realizada pela primeira vez no reformado Complexo Aquático da Unisul, em Palhoça, região metropolitana de Florianópolis, em Santa Catarina. Coaracy negou o pedido diante dos técnicos e dirigentes presentes e ameaçou de processo o técnico pernambucano. Pouco foi noticiado na época:

O processo foi efetivamente criado, e uma briga jurídica durou 5 anos. Coaracy perdeu a ação. Confira uma parte do processo no link abaixo:

http://tj-rj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/116998852/apelacao-apl-1857003220098190001-rj-0185700-3220098190001/inteiro-teor-144021255

Já com atletas, lemos constantemente os problemas com Eduardo Fischer e Joanna Maranhão, mas esquecemo-nos que em 2008, quando César Cielo foi campeão olímpico, ele também criticou a CBDA e Coaracy, que por sua vez tentou abafar as declarações do único campeão olímpico da natação com uma conversa a sós, em uma sala reservada:

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Outros atletas também sentiram na pele o coronelismo imposto pela CBDA, uma metodologia que provou-se, infelizmente, muito eficaz porque também infelizmente não há união entre as federação, nem entre os atletas, tampouco entre os técnicos (alguém aí sabe dizer quem é a representação, sindicato por assim dizer, dos técnicos no Brasil? De acordo com o Estatuto é a ABTDA, que é comandada há quase 20 anos por uma pessoa, o coordenador das disciplinas aquáticas Rômulo Noronha).

E hoje deparamo-nos com a seguinte reportagem de Márcia Vieira do jornal O Dia, que novamente demonstra a metodologia coronelista da CBDA, agora claramente demonstrada pelo aspirante à presidência Ricardo de Moura, contra Juliana Veloso, o maior nome de saltos ornamentais do país:

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Destacamos do texto as seguintes declarações para você tirar suas conclusões sobre se a atual gestão é transparente, honesta e correta, bem como se esta mesma gestão, encabeçada por Ricardo de Moura, é competente suficiente para desenvolver o futuro da Confederação:

“O último dinheiro que recebi foi no fim de 2008, depois não recebi dinheiro nenhum da CBDA. O mais absurdo é que os Correios, patrocinador, começaram a pagar a atletas que nunca haviam pegado a seleção adulta. Eles chamavam na CBDA de futuros talentos. Toda a galera que foi para a Olimpíada do Rio recebeu dos Correios, menos eu. Não apareço nem na foto oficial da Seleção” – Juliana Veloso.

“O Coaracy falou que eu já tinha dito muita besteira. Disse para fingir que estava bom. Eu me recusei e ele disse que me pagava. Então, falei para enfiar o dinheiro onde quisesse” – Juliana Veloso, sobre ela reclamar do piso da plataforma nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro.

“Após reconquistar o meu espaço [em 2009], fui conversar com o Coaracy. Ele disse que eu estava velha e gorda e que iria investir em novos talentos” – Juliana Veloso.

“O último pagamento feito pela CBDA à saltadora foi no final de 2012, ano dos Jogos de Londres. Mas todo o planejamento feito pela treinadora de Juliana, Andréia Boehme, para a sua preparação no ciclo olímpico do Rio-2016, foi custeada 100% pela CBDA. O que foi pedido foi feito ou entregue. Infelizmente, nos Jogos, seu resultado foi o pior da equipe” – Assessoria de Imprensa da CBDA.

“A CBDA não tem condições de custear todos. Dos nove atletas da seleção principal, apenas dois recebem. O critério técnico é definido por mim e pela diretoria. Mas, por meio do trabalho de gestão da CBDA, ela passou a receber da Marinha do Brasil. É difícil agradar a todos, mas poucos atletas no mundo têm o apoio que os brasileiros têm” – Ricardo Moreira, técnico da seleção brasileira de saltos ornamentais.

A desunião entre as classes mais afetadas permitiu que tudo isso acontecesse: todos ficaram reféns de um presidente e sua diretoria, porque os mesmos tinham o poder econômico sobre todos. E, diante da condição financeira, cada um preferiu cuidar do seu próprio umbigo porque lutar contra o sistema e a gestão é afundar pretensões com seleção brasileira e recebimento – mesmo que não garantido por critérios claros – de um salário.

E, sinto muito, chamar que isso é “gestão democrática” beira o ridículo, é só verificar o que se passa na CBDA atualmente e a leitura dos fatos expostos acima.

Chega de democracia: queremos profissionalismo, transparência em critérios e, principalmente, responsabilidade.

1 Comment
  1. Paulo Oliveira 4 anos ago
    Reply

    Corretos todos os seus comentários. Acrescento que esse destempero também acontece dentro da entidade com os funcionários. Pelo menos o Polo Aquático teve a coragem de romper com tudo isso. Porque a Natação não se une a nós? Juntos seremos ainda mais forte

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