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CBDA recebe dos Correios 62 milhões em 39 meses

Em 22 de julho de 2011, foi publicado no Diário Oficial da União – DOU – um extrato de contrato da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – CORREIOS – muito relevante para os esportes aquáticos:

Contrato Nº 187/2011 – Contratada: Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – CBDA, assinado em 15/07/2011, com vigência de 15 (quinze) meses a partir da data de sua assinatura. Objeto: Contrato de Patrocínio às Modalidades de Natação, Pólo Aquático, Saltos Ornamentais, Nado Sincronizado e Maratonas Aquáticas – Temporada 2011/2012. Origem: Inexigibilidade de Licitação nº 11000082 IL. Conta orçamentária 01021.44405.020003. Valor total da contratação: R$ 16.000.000,00 (dezesseis milhões de reais).

 Ontem, dia 6 de novembro de 2012, foi publicado também no DOU outro extrato de contrato dos CORREIOS:

Contrato Nº 334/2012- Contratada: CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS AQUÁTICOS – CBDA, assinado em 31/10/2012, com vigência de 24 (vinte e quatro) meses a partir da data de sua assinatura. Objeto: Contrato de Patrocínio para a realização do CONTRATO DE PATROCÍNIO PARA AS MODALIDADES DE NATAÇÃO, POLO AQUÁTICO, NADO SINCRONIZADO, SALTOS ORNAMENTAIS E MARATONAS AQUÁTICAS”. Origem: Inexigibilidade de Licitação nº 11000082 IL. Conta orçamentária 01021.44405.020003. Valor total da contratação: R$ 46.016.000,00 (quarenta e seis milhões e dezesseis mil reais).

Fazendo as contas, de julho de 2011 a setembro de 2012, supondo que o recebimento dos CORREIOS é mensal, a CBDA tinha disposto em seu caixa R$ 1,06 milhão.

Agora, usando a mesma suposição de recebimento mensal, a CBDA terá em seu caixa mensal a quantia de R$ 1,91 milhão, um aumento generoso de 80%.

Ou, em termos mais fáceis de compreensão, a CBDA receberá só dos CORREIOS o valor anual de R$ 23 milhões.

Analisando o último Balanço Patrimonial, de 2011:

Este valor já praticamente iguala as receitas provenientes de patrocínio. Ainda restam os outros milhões de reais provenientes da Lei de Incentivo ao Esporte, bancados pelo Bradesco e Sadia.

A CBDA nunca vivenciou em sua história um momento com tanta abundância de recurso financeiro.

Mas desde os idos de 1996 não sabe transformar o dinheiro em mais dinheiro, tratar a natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas como NEGÓCIO. A gestão atual do presidente Coaracy Nunes só sobrevive com este tipo de recurso público ou governamental e parece não se preocupar em tornar-se autosuficiente, usando o dinheiro ofertado abundantemente para promover o negócio no esporte, criar alternativas de receitas e, principalmente, expor os resultados alcançados em nível nacional, não apenas vangloriando-se de ser o esporte que mais medalhas traz pro Brasil numa Olimpíada ou num Pan-Americano.

No dia 4 de novembro, o jornal O Globo publicou uma ótima entrevista com Ary Graça, hoje presidente da Federação Internacional de Vôlei e também presidente da Confederação Brasileira de Vôlei.

Clique aqui para ler a entrevista.

O vôlei, como se sabe, é ao lado do basquete, esportes radicais e, agora, MMA, o esporte mais evoluído no Brasil em termos de visibilidade, negócios e promoção. O vôlei brasileiro é um dos melhores do mundo. Mas isso não acomoda a CBV.

Ary Graça foi indagado sobre qual é o maior desafio do vôlei, em termos globais.

O desafio é vender. Hoje, o voleibol mundial está restrito. Somos fortes apenas em 20, 25 países. No resto, ficamos em níveis inferiores. Estamos em 220 países, mas como esporte dos principais são apenas 25, porque temos muitos na Europa. Se reparar nos últimos 60 anos, só seis países foram campeões mundiais. Desses seis, Rússia e Brasil tiveram praticamente 50% dos títulos. Então, a coisa está muito concentrada. E a ascensão do Brasil é recente. Campeões olímpicos, são apenas sete. Do ponto de vista de marketing, não temos um mercado. A finalidade imediata é fazer com o vôlei de quadra o que fiz na praia, com a Continental Cup, que trouxe 143 países para disputar vaga nas Olimpíadas. Levou dois anos e meio, mas pôs na parada Vanuatu, Ilhas Cook, Barbados, Cayman e outros países esquecidos. A palavra é oportunidade. E para todo mundo.

Ele está preocupado com o mercado global. Perguntem à CBDA quantos campeonatos estaduais de natação são promovidos em estados como Tocantins, Piauí, Pará, Acre, Roraima, Rondônia e Bahia, por exemplo. Ou pior: perguntem quantas piscinas existem em condições para realizar um campeonato estadual.

O mercado nacional de esportes aquáticos está sucateado porque há mais de 20 anos não existe pessoa capacitada e com visão de negócio à frente da CBDA. O que interessa é apenas renovar patrocínio e gastar o dinheiro.

 

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